sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Pediatria

Criando um link com a última postagem, a Pediatria era sim uma antiga vontade. E continua sendo. Um bom estágio, ainda restando mais 20 dias para terminar. Aprendi coisas para vida, principalmente. Cito algumas aqui:
  • O primeiro atendimento de um RN é empolgante, emocionante e estressante. Mais ainda quando nascem 3 bebês num tempo máximo de 5 minutos e tu és o único a ter que atendê-los. E ter que cuidá-los durante o resto da madrugada...
  • As discussões de aleitamento materno, da pega do bebê, da depressão puerperal são fantásticas. De verdade!
  • A volta da Enfermaria na minha vida.
  • As pazes com a Pneumologia, que andou a faculdade inteira bem afastada de mim.
  • A facilidade do tratamento da Asma, e a humanidade com que reaprendi a ver os pacientes como alguém que necessita e confia muito em ti.
  • A importância do Serviço Social. E o lixo que anda a nossa sociedade.
  • A automaticidade do atendimento ambulatorial, que parecia estar esquecida em mim.
  • A sensação gostosa de pegar na mão de uma criança com deficiências, olhar pra ela e ver o sorriso transmitido.
  • A conquista durante a consulta de fazer uma criança que entrou chorando ao consultório sair te dando beijo.
  • O senso crítico da criança sobre mim: "Tioooo, tu tem 24 anos, é bonito, não tem namorada, não tem filhos, tem letra feia, e não gosta de funk...que vida chata hein?? "
  • A descoberta de que trabalhar com a mente humana é magnífico!

Enfim, tenho ainda 20 dias pra mudar de ideia, ou não... Mas está sendo um estágio muy bueno, além das expectativas. Muito aprendizado. Sentirei falta do contato com os inocentes...

Uma frase de O Pequeno Príncipe: " Fiz mal em envelhecer. Foi uma pena. Eu era tão feliz em criança..."

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Massificação do SUS, até que ponto é saudável?

Está na Constituição de 1988: " A saúde é um direito de todos e um dever do Estado".
Está na realidade de 2009: A massificação corrompeu com o alcance de um serviço bem prestado e ágil.

******

Minha escassa experiência, cada vez mais, me prova que tem algo a ser modificado no Sistema implementado. Essa é uma velha reclamação pelos usuários do Sistema, bem como pela classe prestadora de serviço do Sistema, dentre essas, nós, os médicos. Acompanhando o Serviço de Ginecologia Oncológica durante um mês e meio, deparei-me com a dura realidade às quais pacientes se deparam todos os dias: o superinchaço do Sistema.
O SUS é eficiente ao diagnosticar, mas ineficiente quanto à terapêutica. Pacientes vindas encaminhadas através de PSFs (Programa de Saúde da Família) ou de UBSs (Unidades Básicas de Saúde) - vide, ambas, "Postinho do Bairro" - com mamografias categoria BI-RADS V (lesão provavelmente maligna) chegavam ao Ambulatório com diagnóstico praticamente formado, necessitando apenas de uma terapêutica cirúrgica a ser prestada pelo serviço terciário. Não era uma, eram algumas pacientes. E não era uma necessidade cabível de espera, mas uma necessidade imediata. Conduta? "Expectante". Motivo? "Sem agenda cirúrgica". Motivo principal? "SUS paga pouco; Hospitais preferem não arcar com custos de aumentar agenda SUS, privilegiando convênios e privados". Mais um motivo? "Falta de interesse político hospitalar e Executivo". Consequência? "Aumento do índice de diagnóstico (incidência) e mortalidade do Câncer de mama". Consequência para a paciente: "Dor, sofrimento antecipado, ansiedade, crise familiar e laboral". Consequência para os médicos e estudantes (para mim): "Angústia, sensação de culpa, tristeza pelo outrem, aprendizado prejudicado".

O que fiz? Uma escolha: Mais vale trabalhar com a vida, que com a morte.
Minha proposta: Expectar. Pelo menos enquanto não me houver ideias.

*******

Novo estágio: pediatria. Tem mais vida que morte. Vamos ver, era uma antiga vontade.


quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Influenza A

Se pegarmos um histórico epidemiológico da sáude mundial nos últimos séculos veremos que a raça humana passou por vários episódios em que sua população foi devastada por doenças, por vezes nem sequer conhecidas. Observando mais recentemente, temos a gripe espanhola, em 1918, que assustou o mundo e durante três surtos pandêmicos atingiu uma letalidade máxima de 8%. Tal gripe foi causada pelo mesmo vírus que atualmente assola a nossa população. A diferença? A nossa atual gripe ainda não chegou a uma letalidade de 1% em nenhum ponto do planeta.
Esse medo sempre ronda a humanidade, alimentado atualmente por uma mídia sensacionalista que sabe produzir matérias que aumentem a carga emotiva dos fatos.
O fato é o seguinte: TODOS OS ANOS MORREM MAIS PESSOAS DE GRIPE SAZONAL (o vírus Influenza nosso de cada ano de meses frios), PRINCIPALMENTE NOS MESES DE INVERNO QUE COM A GRIPE A. Gestantes morrem todos os anos de gripe e de outras complicações respiratórias, mas esse ano elas tiveram um foco especial pelo fato de a epidemiologia da doença ter sido estudada mais profundamente. Um vírus novo mata e atinge mais jovens e menos idosos, pois os primeiros, apesar de terem uma imunidade melhor que os idosos, não tiveram ainda contato com esse germe novo, e os últimos já sofreram as consequências de anos e anos de surtos de várias cepas de vírus da gripe, o que pode facilitar uma imunidade cruzada, tendo estes a capacidade de lidar melhor com novos vírus. Pneumopatas, cardiopatas, pessoas com deficiência imunológica, obviamente vão morrer mais que pessoas imunocompetentes. Caminhoneiros em geral são pessoas com fatores de risco por serem ou etilistas ou imunodeprimidos pelo próprio HIV. Profissionais da saúde estão mais em contato com o vírus, tendo mais chance de se infectarem. Portanto, a epidemiologia desse vírus não assusta ninguém.
As ações praticadas pelo Governo são muito válidas (...) se fossem praticadas todos os anos nos meses de inverno, em que as pessoas se aglomeram em meio de transportes, locais públicos, bares, escolas, restaurantes sem ventilação adequada. Não cabe a nós julgarmos, então, tais ações, mas é contraditório o fato de não terem sido praticadas em outros anos também.
A gripe ajudou às pessoas a se cuidarem melhor. Estão higienizando as mãos com mais frequência, estão arejando ambientes, evitando aglomerações, entre outras atitudes profiláticas para se evitar doenças de inverno, não somente a gripe.
A gripe mostrou que os órgãos públicos relacionados à saúde estão preparados para arcar com a nossa demanda populacional com medidas rápidas.
Portanto, sem pânico. Retomemos nossas atividades. Aos poucos a sazonalidade tende a apaziguar as chances de aumentar o ritmo de infecções. Não podemos esquecer que sul do Brasil, Argentina, Uruguai e Chile fomos a "bola da vez" porque fomos a primeira região do mundo, junto com a Oceania, a conhecer o inverno no ano em que o vírus se espalhou ao redor do mundo, e com isso, com certeza os casos aqui pipocariam quer fossem ou não fossem tomadas medidas. Esperemos uma vacina o quanto antes para evitar novos casos no próximo inverno. E observemos como ele se manifestará ao iniciar o inverno no Hemisfério Norte.
Dica: Evite hospitais, ao menos em extrema urgência. Evite aglomerações como bares fechados e casas noturnas onde a ventilação é precária. Evite contatos íntimos com pessoas suspeitas de estarem com o vírus. Procure atendimento médico tão somente iniciar com febre repentina acima de 38ºc, dores no corpo e pródromos de gripe.
Cuide-se. A sua saúde é um dever somente seu.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

RN de Salete

Essa é a designação imposta para quem nasce nos hospitais. Não nascemos com um nome, nascemos como seres dependentes do seio materno. Aliás, homenagem muito bem estabelecida essa. Somos um RN (recém-nascido) de alguém.
Pensamos em nossas mães hoje.... tempo para pensar .... Agora se pudéssemos voltar a nossa idade para trás no tempo, no momento em que nossas mães foram submetidas num hospital em trabalho de parto para nos dar a luz, recompensaríamos da mesma forma a qual já é padronizada.
Muito escutei durante os plantões obstétricos: "Ah mas se eu soubesse que ia doer tanto, não ia querer" para as primigestas; ou "Ah, não me lembrava mais como doía" para as multigestas. Isso reflete que a força de ser mãe transcende qualquer malefício que é causado durante toda a gravidez e durante o parto, principalmente. O que vem ao caso é o merecimento por todo esse esforço: ela são provedoras de uma vida e mereceram ser reconhecidas como donas de algo - o RN é delas, e leva o nome delas. Pelo menos cabe como uma recompensa (claro que outras virão). Mas dói não recompensá-las no decorrer da vida.
Quando pensarmos em insulto a elas, vamos posicionarmos a nossa idade no passado. Perceberemos que cada insulto dado é um desmerecimento a nós mesmos pela ignorância em não compreendermos o fato. Fomos e seremos sempre delas, é inevitável. RN de Salete: Tiago.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Solidão.

É com uma estranheza que vos digo que, se existe alguém no mundo que foi feito pra viver em solidão, esse somos nós, médicos e internos. Todos os dias recebemos pacientes com a maior boa vontade, cuidamos, estudamos seus casos, quebramos a cabeça, discutimos com os superiores, com os inferiores, às vezes com nós mesmos pra tentar melhorar a vida dos nossos pacientes. Fazemos isso por eles, mas também por sua família, seus amigos. Para que não se sintam só após uma internação, ou até mesmo após uma consulta breve. Para que eles possam retornar a suas casas bem, ou melhores do que vieram. Enfim, para que não sintam solidão. E no fim de um dia, às vezes mais de um dia, voltamos a nossa casa, tocamos nossa vida, em nosso mundinho, de solidão. Deitar na cama, abraçar nosso travesseiro, e pensar no dia que passou, e no dia que virá, faz-nos pensar: como estamos sós, mesmo ao redor de tanta gente a qual ajudamos.
"O Homem é uma ilha".

quinta-feira, 9 de julho de 2009

New ViBe

Um dia Internista, no outro fazendo Pré-Natal de alto risco. A vida nos prega essas voltas abrubtas para mudar a rotina, mudar os ânimos, as dores, as queixas, a vibe!
Raciocina comigo: Qual é a gratificação de aguardar a morte manejando um paciente com comorbidades, câncer terminal, quando comparada à ansiedade momentos antes do parto de uma gestante, e ao choro desesperado pela vida de um recém-nascido? Não precisa de resposta, cada um tem a sua.
A minha eu abro: Está escancarada minha gratificação quando vejo o modo como as futuras mães escutam, quase devoram as palavras ditas por nós ao orientá-las dias antes do parto. E no momento de dor, quando todas (SEM EXCEÇÃO!) dizem que nunca mais querem ter essa dor, e que pedem pro seu filhote vir rápido, pois elas não aguentam mais (e sempre aguentam, até o fim...). E na hora do choro do filhote, emoção contagiante, é cortado o cordão umbilical, e mostrado à nova mãe, que como num momento de escape se esquece de toda dor e beija seu bebê. Quer gratificação maior??
É outra vibe, sem dúvida... ainda terei mais 3 meses perto dessa vibe que está me deixando pra cima, de novo!
Viva a Gineco-obstetrícia!!! Viva!!!

terça-feira, 30 de junho de 2009

Medicina Interna


Findado o estágio da Medicina Interna. Posso dizer que fora uma boa, talvez ótima escolha ter iniciado por esse estágio. Além de ser o estágio mais comprido, ele é um estágio que te apresenta ao mundo real da Medicina. Pacientes muxebando, vítimas de estragos nosocomiais é o que mais se encontra. Infelizmente nos mostra que a Medicina não é um conto de fadas e que a vida real não é a vida dos livros. Há muito mais jogo de cintura, de sensibilidade, de força de vontade, de doação muito altruísta para chegarmos a nossa principal responsabilidade do momento: o nosso paciente. Nele experimentei brincar de prescrever, brincar de tomar o paciente como meu, brincar de dar notícia aos familiares, brincar com a morte, brincar de salvar!

Alguns dizem ser um estágio tranquilo, fácil. Eu posso dizer que é um estágio que se aprende, se brinca de ser médico. Um estágio em contato com todas as áreas médicas. Minha escolha de residência, por ora.


Mas enfim, a ER estava super tranquila hoje, já era de se merecer. Fechamos com chave de ouro!

Que venha mais, quero mais, muito mais!