Se pegarmos um histórico epidemiológico da sáude mundial nos últimos séculos veremos que a raça humana passou por vários episódios em que sua população foi devastada por doenças, por vezes nem sequer conhecidas. Observando mais recentemente, temos a gripe espanhola, em 1918, que assustou o mundo e durante três surtos pandêmicos atingiu uma letalidade máxima de 8%. Tal gripe foi causada pelo mesmo vírus que atualmente assola a nossa população. A diferença? A nossa atual gripe ainda não chegou a uma letalidade de 1% em nenhum ponto do planeta.
Esse medo sempre ronda a humanidade, alimentado atualmente por uma mídia sensacionalista que sabe produzir matérias que aumentem a carga emotiva dos fatos.
O fato é o seguinte: TODOS OS ANOS MORREM MAIS PESSOAS DE GRIPE SAZONAL (o vírus Influenza nosso de cada ano de meses frios), PRINCIPALMENTE NOS MESES DE INVERNO QUE COM A GRIPE A. Gestantes morrem todos os anos de gripe e de outras complicações respiratórias, mas esse ano elas tiveram um foco especial pelo fato de a epidemiologia da doença ter sido estudada mais profundamente. Um vírus novo mata e atinge mais jovens e menos idosos, pois os primeiros, apesar de terem uma imunidade melhor que os idosos, não tiveram ainda contato com esse germe novo, e os últimos já sofreram as consequências de anos e anos de surtos de várias cepas de vírus da gripe, o que pode facilitar uma imunidade cruzada, tendo estes a capacidade de lidar melhor com novos vírus. Pneumopatas, cardiopatas, pessoas com deficiência imunológica, obviamente vão morrer mais que pessoas imunocompetentes. Caminhoneiros em geral são pessoas com fatores de risco por serem ou etilistas ou imunodeprimidos pelo próprio HIV. Profissionais da saúde estão mais em contato com o vírus, tendo mais chance de se infectarem. Portanto, a epidemiologia desse vírus não assusta ninguém.
As ações praticadas pelo Governo são muito válidas (...) se fossem praticadas todos os anos nos meses de inverno, em que as pessoas se aglomeram em meio de transportes, locais públicos, bares, escolas, restaurantes sem ventilação adequada. Não cabe a nós julgarmos, então, tais ações, mas é contraditório o fato de não terem sido praticadas em outros anos também.
A gripe ajudou às pessoas a se cuidarem melhor. Estão higienizando as mãos com mais frequência, estão arejando ambientes, evitando aglomerações, entre outras atitudes profiláticas para se evitar doenças de inverno, não somente a gripe.
A gripe mostrou que os órgãos públicos relacionados à saúde estão preparados para arcar com a nossa demanda populacional com medidas rápidas.
Portanto, sem pânico. Retomemos nossas atividades. Aos poucos a sazonalidade tende a apaziguar as chances de aumentar o ritmo de infecções. Não podemos esquecer que sul do Brasil, Argentina, Uruguai e Chile fomos a "bola da vez" porque fomos a primeira região do mundo, junto com a Oceania, a conhecer o inverno no ano em que o vírus se espalhou ao redor do mundo, e com isso, com certeza os casos aqui pipocariam quer fossem ou não fossem tomadas medidas. Esperemos uma vacina o quanto antes para evitar novos casos no próximo inverno. E observemos como ele se manifestará ao iniciar o inverno no Hemisfério Norte.
Dica: Evite hospitais, ao menos em extrema urgência. Evite aglomerações como bares fechados e casas noturnas onde a ventilação é precária. Evite contatos íntimos com pessoas suspeitas de estarem com o vírus. Procure atendimento médico tão somente iniciar com febre repentina acima de 38ºc, dores no corpo e pródromos de gripe.
Cuide-se. A sua saúde é um dever somente seu.